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Padre e inventor, Moura obteve nos Estados Unidos, em 1904, a patente para o transmissor de ondas de rádio, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou na última quinta-feira (15), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 7504/10, do Senado, que determina a inscrição do nome do Padre Roberto Landell de Moura no Livro dos Heróis da Pátria. O cientista Landell de Moura destacou-se por ter obtido nos Estados Unidos, em 1904, a patente para o transmissor de ondas, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio. O projeto segue para sanção presidencial.
Moura é considerado um dos vários "pais" do rádio, no caso o pai brasileiro do Rádio. Foi pioneiro na transmissão da voz humana sem fio (radioemissão e telefonia por radio) antes mesmo que outros inventores, como o canadense Reginald Fessenden, que realizou o feito em dezembro de 1900.
Marconi se notabilizou por transmitir sinais de telegrafia por rádio; mas só transmitiu a voz humana em 1914. Pelo seu pioneirismo, o Padre Landell é o patrono dos radioamadores do Brasil. Em 2011 é comemorado o sesquicentenário de nascimento do Padre Landell.
Estímulo aos cientistas
O relator do projeto, deputado Esperidião Amim (PP-SC), deu parecer pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. "Neste momento em que o Brasil luta para privilegiar a inovação, para se inserir no contexto mundial de maneira exemplar e competitiva, acho que inscrever o nome do Padre Landell de Moura como um dos heróis - e não é herói de guerra, herói de paz, da inovação, do desenvolvimento científico e tecnológico - nos anais desta galeria, é um momento muito importante para o Brasil", assinalou Esperidião. Na opinião do relator, "todos nós devemos conhecer melhor e divulgar a biografia e os feitos do Padre Landell de Moura, até para estimular novos cientistas."
Padre Landell desenvolveu experiências com fibra ótica e com fotografia da aura humana no século 19.
Precursor
Landell de Moura foi ainda um precursor das telecomunicações da era moderna em diversas outras áreas: projetou a televisão, o teletipo e o controle remoto por rádio. O reconhecimento do seu trabalho no Brasil, entretanto, demorou muitos anos, o que muitos atribuem à posição de atraso científico, tecnológico e industrial em que se encontrava nosso País no início do século XX.
O coordenador do Movimento Landell de Moura, Eduardo Ribeiro, afirmou que uma das grandes metas do grupo era esse reconhecimento: "Ele é, de fato, um dos maiores cientistas da história não só do Brasil, como da humanidade, sendo o pai do rádio brasileiro, tendo desenvolvido experiências com fibras óticas, com a televisão, com a fotografia da aura humana - tudo isso estamos falando em finais do século 19, início do século 20.”
Ribeiro lembrou que todo esse acervo que está documentado, com patentes, com reportagens na imprensa da época, com testemunhos de autoridades nacionais e estrangeiras. “Mesmo assim, ele simplesmente foi ignorado por nossa sociedade, por nossa história, por nossas autoridades durante décadas."
Eduardo Ribeiro afirma que o movimento luta agora para que a história do Padre Landell de Moura seja incluída no currículo do ensino fundamental. Ele destaca que o mais importante é que as crianças brasileiras saibam que esse homem existiu e conheçam um pouco do que ele fez.
A iniciativa do projeto foi do ex-senador Sérgio Zambiasi (RS). Na Câmara, uma proposta semelhante foi encaminhada pelo deputado Giovani Cherini (PDT-RS).
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição - Mariana Monteiro
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Desevolvido por Marcelo Vieira