A guerra da sintonia

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Em Calamar, na região de Guaviare, na Colômbia, o Exército libera no dial uma guerra paralela tal como no campo de batalha. O microfone às vezes é uma arma mais poderosa que um míssil.

Quando ‘Asdrúbal’, um guerrilheiro, da primeira frente das Farcs, (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) decidiu desertar, a primeira coisa que pediu foi se render em particular a um soldado que queria conhecer. Ele desejava se render a J. L. Bastidas, o locutor do Exército que pela freqüência modulada o tinha convencido de deixar as armas nesta guerra civil colombiana.

J.L.Bastidas é um soldado da reserva, de voz grave e séria que a cerca de um ano e três meses, está atrás do microfone de uma emissora de FM, a Stereo Colômbia, que tem como objetivo aproximar, pelo sentimento e pela música, a população civil da região e também fomentar as deserções entre os guerrilheiros.

Tal como a maioria das emissoras de rádio comercial, esta emissora de FM, realiza pesquisas de opinião para determinar os rumos que deve dar a sua programação e com isso chegou até a descobrir quais são os ritmos favoritos entre os guerrilheiros, para aprimorar suas emissões de convencimento.

As emissoras de Rádio se tornaram um braço poderoso, na guerra psicológica que se trava na Colômbia, entre as forças governamentais e os guerrilheiros. A estação de FM onde trabalha Bastidas é uma emissora móvel do exército. Na Colômbia, existem hoje, diversas dessas emissoras que são montadas e desmontadas de acordo com o traçado momentâneo das linhas de enfrentamento entre as forças adversárias. Qualquer ponto urbano de melhores condições, como uma caixa d água, serve de imediato, para a instalação do sistema de antena e a rádio entra no ar, podendo ser desmontada e relocada com rapidez conforme as condições de combates se apresentam.

No lado das FARCs, existia até pouco tempo a Rádio La stéreo de Chiribiquete, a qual através de códigos adicionados ás notícias apresentadas, fornecia informações táticas á guerrilha.

Na região de Calamar, o exército possui 5 estações móveis e 31 estações fixas, trabalhando sempre com este mesmo objetivo. A importância das emissoras de rádios é tão grande estrategicamente, nesta guerra civil, que o exército distribui receptores gratuitamente á população civil.

As estatísticas apresentam que cerca de 100 guerrilheiros desertaram das FARCs, devido ao trabalho de convencimento das emissoras de rádio. Esta situação já levou as forças guerrilheiras a proibir a escuta das emissoras governamentais e castigar severamente os ouvintes infratores descobertos.

Os próprios guerrilheiros possuem a emissora “A Voz da Resistência”, a qual modifica constantemente o seu sítio de transmissão para não ser descoberta bem como altera sua freqüência de emissão para não ser atrapalhada por Jimminggs por parte das forças oficiais do país.

O exército realiza sempre uma emissão ao vivo, quando ocorre uma deserção por parte de um guerrilheiro, visando com isso abater moralmente o ânimo de seus adversários.

Como podem verificar, o nosso amigo o Rádio, tido como um pacífico meio de comunicação, pode se transformar em uma poderosa arma militar.

Seria o caso de adaptar o slogan tão conhecido: não faça de seu rádio uma arma, a vítima poderá ser você!

Fonte: Artigo em espanhol, de Rafael Rodriguez, da Colômbia, apresentado na CondigList por José Elias Diaz.

Por: Adalberto Marques de Azevedo – Barbacena – MG

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