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A guerra da sintonia
Por: Adalberto Marques de Azevedo - Barbacena
- MG
Fonte: Artigo
em espanhol, de Rafael Rodriguez, da Colômbia, apresentado
na CondigList por José Elias Diaz.
Em Calamar, na região de Guaviare,
na Colômbia, o Exército libera no dial uma guerra
paralela tal como no campo de batalha. O microfone às
vezes é uma arma mais poderosa que um míssil.
Quando 'Asdrúbal', um guerrilheiro,
da primeira frente das Farcs, (Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia) decidiu desertar, a primeira coisa que
pediu foi se render em particular a um soldado que queria
conhecer. Ele desejava se render a J. L. Bastidas, o locutor
do Exército que pela freqüência modulada
o tinha convencido de deixar as armas nesta guerra civil colombiana.
J.L.Bastidas é um soldado da reserva,
de voz grave e séria que a cerca de um ano e três
meses, está atrás do microfone de uma emissora
de FM, a Stereo Colômbia, que tem como objetivo aproximar,
pelo sentimento e pela música, a população
civil da região e também fomentar as deserções
entre os guerrilheiros.
Tal como a maioria das emissoras de rádio
comercial, esta emissora de FM, realiza pesquisas de opinião
para determinar os rumos que deve dar a sua programação
e com isso chegou até a descobrir quais são
os ritmos favoritos entre os guerrilheiros, para aprimorar
suas emissões de convencimento.
As emissoras de Rádio se tornaram um
braço poderoso, na guerra psicológica que se
trava na Colômbia, entre as forças governamentais
e os guerrilheiros. A estação de FM onde trabalha
Bastidas é uma emissora móvel do exército.
Na Colômbia, existem hoje, diversas dessas emissoras
que são montadas e desmontadas de acordo com o traçado
momentâneo das linhas de enfrentamento entre as forças
adversárias. Qualquer ponto urbano de melhores condições,
como uma caixa d água, serve de imediato, para a instalação
do sistema de antena e a rádio entra no ar, podendo
ser desmontada e relocada com rapidez conforme as condições
de combates se apresentam.
No lado das FARCs, existia até pouco
tempo a Rádio La stéreo de Chiribiquete, a qual
através de códigos adicionados ás notícias
apresentadas, fornecia informações táticas
á guerrilha.
Na região de Calamar, o exército
possui 5 estações móveis e 31 estações
fixas, trabalhando sempre com este mesmo objetivo. A importância
das emissoras de rádios é tão grande
estrategicamente, nesta guerra civil, que o exército
distribui receptores gratuitamente á população
civil.
As estatísticas apresentam que cerca
de 100 guerrilheiros desertaram das FARCs, devido ao trabalho
de convencimento das emissoras de rádio. Esta situação
já levou as forças guerrilheiras a proibir a
escuta das emissoras governamentais e castigar severamente
os ouvintes infratores descobertos.
Os próprios guerrilheiros possuem a
emissora “A Voz da Resistência”, a qual
modifica constantemente o seu sítio de transmissão
para não ser descoberta bem como altera sua freqüência
de emissão para não ser atrapalhada por Jimminggs
por parte das forças oficiais do país.
O exército realiza sempre uma emissão
ao vivo, quando ocorre uma deserção por parte
de um guerrilheiro, visando com isso abater moralmente o ânimo
de seus adversários.
Como podem verificar, o nosso amigo o Rádio,
tido como um pacífico meio de comunicação,
pode se transformar em uma poderosa arma militar.
Seria o caso de adaptar o slogan tão
conhecido: não faça de seu rádio uma
arma, a vítima poderá ser você!
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