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Propagação Transequatorial via bolhas ionosféricas
Autoria: INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Enviado por Pedro Machado da cidade de
Lorena, SP
O estudo do INPE
sobre Bolhas Ionosféricas explica perfeitamente
um fenômeno
que integrantes do DX Clube do Brasil vem notando repetidamente
há muitos anos. De outubro a março de cada
ano, emissoras de FM da região do Caribe podem ser
ouvidas no sul do Brasil. Embora não soubéssemos
a causa precisa, sabe-se
que algo reflete as ondas de FM ( na faixa de VHF ) de volta
para a superfície, no período citado.
O INPE enviou
um artigo mostrando a pesquisa sobre as bolhas ionosféricas
que é reproduzido abaixo.
* Ao final do artigo do
INPE, foi inserido uma figura produzida pelo IPS da Austrália,
mostrando com mais detalhes
os caminhos abertos a propagação produzidos
por este fenômeno, ilustrando justamente a ponte entre
a região do Caribe e o sul do Brasil.
1. As Bolhas Ionosféricas: O Fenômeno
A descoberta do fenômeno pelo INPE
O fenômeno das bolhas ionosféricas foi detectado
experimentalmente pela primeira vez sobre o território
brasileiro por volta dos anos 1976-1977, pelo grupo de estudos
ionosféricos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-INPE
de São José dos Campos, por meio de observações
científicas da ionosfera noturna, ou seja, por medidas
de uma luz muito fraca, a aeroluminescência (também
conhecida por airglow, na língua inglesa), emitida
pelo oxigênio atômico da ionosfera. Tal descoberta
mostra claramente a importância da pesquisa científica
básica para aplicações práticas
que são de direto interesse para a sociedade. Desde
então mais de 100 publicações científicas
sobre o assunto foram feitas pelo grupos de estudos ionosféricos
do INPE, em revistas científicas especializadas internacionais.
Tal descoberta feita pelo grupo brasileiro, aconteceu paralelamente
com a de outros grupos internacionais em outras regiões
do globo terrestre.
Morfologia do fenômeno das bolhas
As bolhas ionosféricas são regiões vazias
de plasma ionosférico. A ionosfera é um plasma,
e plasma é um gás formado por partículas
livres eletricamente carregadas, ou seja, partículas
de cargas elétricas positivas e negativas. Dentro
das bolhas o plasma é muito rarefeito. A rarefação
pode alcançar até 99% conforme já têm
sido observado. Entretanto, as partículas eletricamente
neutras da atmosfera terrestre, tais como o oxigênio
atômico, não sofrem variação de
concentração, o que significa que as bolhas
são caracterizadas pelas reduções de
concentração de plasma e não de atmosfera
neutra.
A bolhas ocorrem na região tropical a partir da altura
de aproximadamente 250 km e se estendem por centenas de quilômetros
ao longo das linhas de campo geomagnético podendo
ir de um hemisfério terrestre ao outro e atingir uma
altura máxima superior a 1500 km na região
do equador. Elas aparecem logo após o pôr do
sol, sobem em altura e se deslocam para leste e nunca ocorrem
durante o dia.
Essas bolhas só ocorrem durante a noite e nunca ocorrem
durante o dia e estão restritas aproximadamente à região
tropical (e portanto elas não ocorrem sobre países
de primeiro mundo). A ocorrência delas é altamente
sazonal ou seja, varia com a estação do ano
e ocorrem sobre a região brasileira entre setembro
e março. Elas podem ocorrer também fora deste
período, só que ocorrem com muito menos freqüência.
Ilustração do movimento das bolhas ionosféricas
sobre a região brasileira.
A metade mais clara do globo
terrestre na ilustração acima representa o dia
e a parte mais escura representa a noite. Notar que as bolhas
se deslocam para leste, acompanhando o equador magnético
terrestre. Elas se formam logo após o pôr do sol
e aumentam de tamanho, à medida que se deslocam para
leste, tomando dimensões transequatoriais. Elas ocorrem
apenas no setor noturno. As extremidades das bolhas encontram-se
em pontos geomagneticamente conjugados, os quais estão
localizados em pontos aproximadamente simétricos em
relação ao equador geomagnético..
A ocorrência máxima desse fenômeno acontece
no período de dezembro a fevereiro. Tal freqüência
de ocorrência varia também em função
do ciclo de atividade solar que dura 11 anos. As bolhas são
muito mais freqüentes durante o máximo do ciclo
de atividade solar, em cujo período els interferem
muito mais nas telecomunicações. Estamos atualmente
passando pelo pico do ciclo de atividade solar (ano de 2002).
2. Possíveis impactos da Bolhas ionosféricas
na sociedade
A ionosfera sobre o território nacional apresenta
fenômenos únicos no globo terrestre
A ionosfera sobre o território brasileiro apresenta
aspectos únicos em relação às
outras partes do globo terrestre, principalmente devido à alta
declinação do campo magnético (ângulo
que a direção do campo magnético faz
com o norte geográfico) que é máxima
sobre o território brasileiro. A dinâmica da
ionosfera terrestre apresenta variações com
a latitude geográfica, porém, mesmo no contexto
da região tropical global, a região brasileira
apresenta peculiaridades. Conforme verificado por extensivas
medidas ionosféricas efetuadas por satélites,
as bolhas ionosféricas, por razão ainda não
bem compreendida, ocorrem com mais freqüência
sobre o território brasileiro, que em outros setores
longitudinais da região tropical.
Efeitos das bolhas ionsféricas nas telecomunicações
As bolhas causam cintilação de amplitude e
de fase nas ondas de rádio, resultando na degradação
do sinal e conseqüente perda de qualidade das telecomunicações
tanto via ionosfera como por satélite podendo causar
até a completa interrupção nas telecomunicações
por períodos de até 4 horas, conforme tem sido
tipicamente observado e relatado sobre o território
brasileiro.
Essas interferências podem ocorrer até mesmo
em freqüências muito elevadas tais como 1,4 GHz,
1,6 GHz etc. nas quais antes da descoberta das bolhas ionosféricas
não se esperava grandes influências da ionosfera.
As bolhas podem interferir fortemente na recepção
de sinais de satélite em antenas parabólicas,
especialmente nos sistemas mais antigos de recepção
de TV. Tem-se observado que as interferências causadas
pelas bolhas se manifestam na recepção de TV
por antenas parabólicas sob forma de pontos brilhantes
espalhados por toda a tela. As bolhas são mais fortes
e interferem mais nas telecomunicações até a
meia noite. A interferência continua depois da meia
noite, porém com menor intensidade. Não acontecem
interferências das bolhas durante o dia pelo simples
fato de as bolhas não existirem neste período.
Já foram relatadas interrupções nas
telecomunicações via satélite sobre
o território brasileiro, com conseqüências
indesejáveis. Nos últimos anos o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais tem sido contatado por empresas
privadas e públicas que tiveram problemas de interrupção
ou eventos de séria degradação de sinais
nos seus sistemas de telecomunicações, devido à presença
das bolhas ionosféricas. Essas empresas entretanto
não concordam que os seus nomes sejam associados a
esse problema nos meios públicos de comunicação.
Os efeitos das bolhas sobre as telecomunicações
ocorrem em diversos graus de intensidade, dependendo de quanto
o sistema de telecomunicações esteja preparado
para resolver o problema da interferência. Muitos sistemas
modernos de telecomunicações conseguem vencer
completamente a interferência das bolhas ionosféricas.
As bolhas inosféricas
interferem nas telecomunicações transionosféricas,
ou seja, todas as transmissões cujo caminho passe
pela ionosfera terrestre. Tais interferências podem
ocorre até mesmo em freqüências muito elevadas
tais como 1,4 GHz, 1,6 GHz etc.
Essas bolhas só ocorrem durante a noite e nunca ocorrem
durante o dia e estão restritas aproximadamente à região
tropical (e portanto elas não ocorrem sobre países
de primeiro mundo). A ocorrência delas é altamente
sazonal ou seja, varia com a estação do ano.
Elas ocorrem entre setembro e março. Elas podem ocorrer
também fora deste período, só que muito
menos freqüência. A ocorrência máxima
desse fenômeno acontece no período de dezembro
a fevereiro. Tal freqüência de ocorrência
varia muito também em função do ciclo
de atividade solar que dura 11 anos e estamos passando pelo
pico dele no momento (ano de 2002). Ou seja, as bolhas interferem
muito mais nas telecomunicações na fase de
máxima atividade solar. Estamos passando atualmente
pelo pico de máximo de atividade solar.
Tais bolhas interferem fortemente na recepção
de antenas parabólicas de alguns sistemas mais antigos
de recepção de TV. Elas se manifestam na recepção
de TV por antenas parabólicas como pontos brilhantes.
As bolhas são mais fortes e interferem mais nas telecomunicações
no período noturno até a meia noite. A interferência
continua depois da meia noite, só que com menor intensidade.
As bolhas ionosféricas são grandes regiões
da ionosfera terrestre onde existe um vazio de plasma (a
ionosfera é um plasma composto por elétrons
e íons livres de oxigênio atômico). Elas
são alinhadas ao longo das linhas de força
do campo magnético terrestre podendo, desta forma,
ocupar um espaço transequatorial. elas aparecem logo
após o pôr do sol, sobem em altura e se deslocam
para leste.
Diagrama
produzido pelo IPS Australia que ilustra os caminhos proporcionados
por este fenômeno na propagação ionosférica.
-- Agradecimento :
Dr. José Humberto de Andrade
Sobral
Divisão de Aeronomia
Área de Ciências Espaciais e Atmosféricas
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
São José dos campos - SP
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