As bandas tropicais

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ORIGENS

As transmissões por rádio iniciaram aproximadamente há 100 anos atrás: no começo, o sinal era gerado por meios eletromecânicos, o que limitava a operação a freqüências relativamente baixas. Alguns anos mais tarde, com a introdução do triodo termoionico, foi possível aumentar a freqüência de emissão e, após o término da 1ª Guerra Mundial em 1918, foram regulamentadas as primeiras bandas de radiodifusão e radiotelecomunicação, com a subseqüente aparição das primeiras emissoras de onda média, tanto particulares que estatais, na década dos 1920.

O progresso em válvulas e circuitos permitiu continuar a busca da operação em freqüências mais altas, especialmente depois de ter sido observado que as características de propagação nessas freqüências permitiam comunicação a longa distancia durante 24 horas/dia, não dependendo mais da operação exclusiva dentro do cone de sombra terrestre, como ocorre com as freqüências baixas.

Assim, ao redor de 1930, a maior parte dos paises desenvolvidos já dispunha de estações de ondas curtas, operando até 15 MHz com potencias da ordem de 10-50 kW.

Essa foi politicamente, uma época de colonialismo, com várias potencias européia disputando territórios e penetração na África e na Ásia: a importância das telecomunicações para influenciar as populações desses territórios foi considerável e os paises mais ativos nessa linha política começaram a articular maneiras de proporcionar cobertura permanente e efetiva das colônias pela radiodifusão.

Na época, um receptor de ondas curtas para freqüências elevadas era um objeto de luxo, de custo elevado, fora do alcance da grande maioria da população dos paises coloniais; isso levou a um esquema de radiodifusão pelo qual o sinal original, gerado de 11 ou 15 mHz na Europa, era recebido na África numa unidade retransmissora estatal, equipada com receptores profissionais de boa sensibilidade; no local era efetuada uma conversão do sinal para freqüências mais baixas, da ordem de 2-5 mHz, apenas para uso regional, com alcance limitado.

Contribuiu para o sucesso deste esquema o inicio da eletrificação em várias regiões da África, bem como a introdução de kits para a montagem caseira de receptores super-regenerativos de uma válvula, vendidos na ordem de 10 dólares: isso ocorreu em 1932-35, quando o valor do dólar era superior ao de hoje e 10 dólares podia ser mais que o salário de um mês. Ainda assim, o impacto desses kits foi significativo; as limitações características do detector super-regenerativo (a saber: falta de controle por AVC, para compensar os efeitos de fading e a falta de seletividade) não tiveram efeito restritivo, uma vez que a proximidade da estação conversora usada para a retransmissão fazia com que o fading fosse mínimo e a escassez de ondas curtas nessas bandas permitia excelente recepção, mesmo com receptores pouco seletivos.

Após a implantação dessa infraestrutura local, foi só questão de tempo começar a preparação e a transmissão de programas locais, para melhor atender hábitos, costumes e interesses regionais, especialmente no que dizia respeito a línguas e dialetos locais. Este processo ficou completo após o término da 2a.Guerra Mundial (1945), quando muitos transmissores militares acabaram sendo doados/transferidos a entidades locais na retirada das tropas de ocupação.

Com estes fenômenos políticos ocorreram prevalentemente na África, as bandas de ondas curtas utilizadas para cobertura local especializada acabaram recebendo a definição oficiosa de “tropicais”: eles incluem a banda de 120 metros (2.3-2.5 MHz), 75 m (3.9-4.0 MHz), 90 m (3.2-3.4 MHz) e 60 m (4.7-5.1 MHz), ressaltando que estas freqüências são aproximadas, uma vez que, ao longo dos anos, sofreram repetidas alterações, para atender a novas necessidades.

USO DAS BANDAS TROPICAIS

O organismo internacional que regulamenta e gerencia o uso de todas as freqüências e a ITU (International Telecomunication Union), sediada na Suíça. Uma limitação desse órgão é a falta de autoridade internacional para obrigar os paises membros a operar nas freqüências acordadas; a situação é ainda pior no caso de paises não membros. O resultado é que, apesar das bandas tropicais terem sido claramente regulamentadas, sempre houve paises infratores por mecanismos e razões diferentes, citando-se a seguir alguns casos observados ao longo dos anos.

Devido à vulgarização da radiodifusão (causada, especialmente na década dos 60 pela introdução do receptor transistorizado de baixo custo), a maioria das bandas tropicais “oficiais” (i.é alocadas pela ITU) ficaram superlotadas e, em várias regiões do globo, as emissoras foram obrigadas a abrir espaço a cotoveladas: essa busca toma forma de antenas direcionais, aumento da potencia de transmissão e mudança de freqüência. Perceba-se o atrativo, por exemplo, que uma estação da Mongólia (pais não membro da ITU) tem para fugir do pandemônio da banda dos 60 metros para a relativa tranqüilidade dos 4.078 kHz (onde eles estão desde anos); política semelhante foi seguida durante décadas pela União Soviética e pela China Continental.

Esta situação perdura até hoje, apesar de que não por razões políticas (como prevalecia na época da guerra fria), mas agora por razões econômicas (uma vez que esses paises carecem de capitais para substituir as emissoras existentes).

Pareceria assim que seriam poucos os países infratores: eles diminuíram com o término da guerra fria, mas, numa analise mais profunda constata-se que muitos paises supostamente respeitadores das determinações da ITU (Alemanha, França, Holanda, Hungria Tchecoslováquia, Polônia, Espanha….) estavam entre os piores infratores ao operar “jammers” de alta potencia para interferir nas emissões de paises de ideologia adversária: se o sinal da emissora a interferir estava em 4.2 mHz (infração essa das bandas ditadas pela ITU), o país que operasse um jammer nesse canal cometia a 1a.Infração das normas da ITU transmitindo nessa freqüência, uma 2a.Infração (também da ITU), operando um jammer (cujo uso é proibido) e uma 3a.Infração (essa contra o ONU que, a semelhança da ITU mantém acordos assinados com os paises membros, tornando ilegal a operação de jammers); apesar de que alguns dos paises acima não admitam publicamente até hoje as respectivas atividades de jamming, não existem duvidas sobre a origem, a localização e o financiamento dos jammers que operavam nas bandas tropicais por décadas.

PANORAMA LATINO-AMERICANO

A situação da América latina é análoga, apesar de que por outras razões: o modelo de estrutura político-economica de radiodifusão na região é completamente diferente do Africano ou do Asiático (onde dominam emissoras estatais, com propósitos prevalentemente políticos). Na América Latina, o modelo é próximo ao norte americano, onde a grande maioria das emissoras é particular, com finalidade prevalentemente comercial/publicitária (em anos recentes, uma faceta nova desta situação surgiu com a proliferação de emissoras religiosas, custeadas por igrejas das mais diversas denominações e geralmente dependentes de donativos de fiéis para financiar a operação e não de atividades comerciais.).

Apesar das riquezas naturais da maioria dos países Latino-Americanos, o desenvolvimento da região tem sido prejudicado/limitado por fatores políticos e sociais: assim, ainda hoje, existem regiões remotas de extrema pobreza nas quais a implantação da mais simples emissora demanda sacrifícios enormes e a superação de grandes dificuldades: visivelmente é caso do atual momento do Peru, Bolívia e a maioria da América Central.

Após 1961, por razões profissionais, tenho estado em praticamente todos os países da América Latina; em vários deles por períodos prolongados e, em certos outros, por repetidas vezes. As condições de extrema pobreza e de falta de infraestrutura que são visíveis no interior do Peru, do Equador ou da Guatemala e fogem a qualquer definição que seja geralmente associada à imagem do Século XX. Seguem exemplos de experiências pessoais que considero sugestivas para ilustrar essas afirmações:

– Nas minas de estanho de Potosi (Bolívia) o calor é insuportável, devido à falta de ventilação adequada. Os mineiros que operam os marteletes pneumáticos vestem apenas shorts e capacete; atrás dele há um colega com uma mangueira de água com a qual rega o corpo dos primeiros para “resfria-los” (assim como se resfria uma máquina!!).

– Nas aldeias do interior da Guatemala, a moradia local é uma cabana com paredes de terra batida e cobertura de folhas de palmeira ou bananeira; é normal ela ser habitada por diversas famílias (geralmente irmãos primos, etc.) Devido à promiscuidade do local, os moradores não sabem afirmar de forma segura quem é o pai de uma criança de colo!!

– No norte do Equador há um dos poucos núcleos de população negra daquele país, sendo o resultado de escravos que, no século passado, fugiram e se reuniram na região, que seguiu completamente isolada e desconhecida até a década dos 50. Cheguei lá ignorando a existência e a história do local, pelo qual passa uma estrada de terra e pedras que ruma para Otavalo: havia talvez 100 cabanas com telhado de palha e, no meio delas, um pequeno córrego de 1,5 m de largura, com 30 ou 40 cm de profundidade. No córrego havia porcos bebendo e rolando na água. Rio abaixo uns 15 metros, havia um casal de crianças de 4-5 anos de idade que, usando uma latinha enferrujada e amassada, estavam bebendo a água do córrego. Quando cheguei a meu destino, alguma hora mais tarde, estava absolutamente preparado para ouvir que, devido a um surto de febre tifóide, recomendava-se que ninguém fosse adiante sem estar previamente vacinado.

A grande maioria dos povoados da região Andina ou Amazônica do Peru, bem como no interior da Guatemala, Honduras, El Salvador estão pouco acima da descrição que precede: em povoados desse padrão, alguém mais empreendedor consegue acessar um surrado equipamento de radioamador ou militar e tenta transforma-lo num transmissor para radiodifusão, que passa a operar em condições absolutamente precárias. Até hoje, mesmo em lugares um pouco mais adiantados, é comum haver uma usina geradora de força equipada com motor diesel de caminhão, que opera entre as 5-6 da manhã e as 19-21 horas. O controle de freqüência da rede é absolutamente primitivo, gerando instabilidade nos transmissores alimentados pela rede, durante o mesmo período e, notadamente entre um dia e outro.

Nos povoados a beira de um rio, o abastecimento de óleo diesel é efetuado via fluvial, sendo freqüente, em época de enchentes ou de escoamento de muitas toras pelo rio, de haver semanas seguidas sem abastecimento e, conseqüentemente, sem operação do gerador: esta é a situação observada no interior da região de Iquitos, em época relativamente recente isso explica porque uma emissora que está hoje em 4.712 kHz e fecha as 20 hr; amanha aparece em 4.716 kHz e fecha as 18 hr. ; depois fica uma semana fora do ar até reaparecer em 4.708 khz em horário diferente.

Evidentemente, todas estas emissoras não atendem nenhum padrão técnico e nunca foram registradas em nenhum órgão central do país respectivo. Elas vivem de vender espaços comerciais, na maioria “mensajes” que os moradores de regiões isoladas querem enviar a parentes ou conhecidos de povoados circunvizinhos (visto não haver serviço regular de correio local e o único meio de comunicação costuma ser por ônibus muito surrados ou, conforme o caso, canoas). Uma figura nova de emissora peruana surgiu no começo da década de 80, que é a emissora “móvel” ela chega num local, pindura a antena entre duas árvores ou dois bambus e vende mensagens a população local durante algum tempo. Se o negócio for marginal ou se fracassar, a emissora muda para outro povoado e o processo recomeça. Nesta oportunidade, é freqüente a emissora mudar de nome, de freqüência e de dono. Não é preciso acrescentar que a freqüência de operação está sempre fora das bandas oficiais, em parte para fugir das interferências e em parte para evitar reclamações que podem de forma latente, expor o operador da estação a riscos maiores. Transmissores assim podem ter de 50 a 500 W, sendo freqüentemente o trabalho de montagem do dono, que se orgulha de ter feito um curso de radio por correspondência.

Outra figura relativamente freqüente é a do pároco (ou missionário) que quer transmitir a missa dos domingos ou manter tráfego/contato com a paróquia central da região: ai são vistos equipamentos de 10-50W, freqüentemente controlados por VFO em vez de cristal, nesse caso a freqüência de operação pode ser qualquer coisa: é só encostar o cotovelo por descuido no knob do VFO que a portadora sobe 10 ou 20 kHz!. No interior do Estado de São Paulo (na região de Santo Anastácio) havia uma figura deste tipo, que era um missionário espanhol que transmitia em 3.955 kHz com um Geloso e que se identificava como “Rádio Santo Anastácio”; quando recebeu meu report de escuta, ele ficou tão empolgado que mandou publica-lo no jornal da cidade! Mais tarde, ele me enviou o retalho do jornal como verificação: ele então operava com 15W e ficou no ar durante alguns meses, quando era ouvido com freqüência; após algum tempo mudou de canal (talvez a famosa cotovelado no knob do VFO), estando em 3.978 kHz. Depois desapareceu de vez e nunca mais escutei ou tive notícias dessa emissora, que também nunca vi reportada por outros boletins de ondas curtas. Situação semelhante era notada no interior da Nicarágua, antes da Revolução Sandinista; por razões que nunca entendi, entretanto, o operador da região estava prevalentemente entre 7.500 e 7.900 kHz, com potencias geralmente inferiores a 100W e que, desde o Brasil, eram difíceis de escutar (fazendo assim supor que podia haver mais emissoras do que se notava geralmente reportadas).  

PROPAGAÇÃO

Uma característica fundamental das bandas tropicais é que a propagação dessas freqüências ocorre exclusivamente no cone de sombra formado pela Terra: isso significa que, dependendo do horário, determinadas regiões do globo podem ser ouvidas no Brasil em dois horários completamente diferentes, a saber: pelo trajeto mais curto (“short path”), quando essa distancia for inferior a metade da circunferência terrestre (ou seja, aprox. 20.000 Km) ou pelo trajeto mais longo (“long path”), quando o percurso do sinal ocorrer pelo lado oposto ao anterior. Assim, o subcontinente indiano pode ser ouvido em São Paulo entre 20-24 h locais (por short path de 16-18.000 km) e, novamente, as 5-7 da manhã (por long path de 22-24.000 km).

A escolha do melhor horário deve ser feita caso a caso, dependendo essencialmente do horário de transmissão da emissora, interferências locais e condições de propagação; ao longo dos meus anos de operação, entretanto, tenho observado que, de forma generalizada, a escuta é melhor quando o sinal  viaja na direção leste oeste (ou seja, quando a hora local do ponto de recepção é mais cedo que na zona do transmissor); na direção oposta, o sinal tende a ser mais fraco e sofrer todo tipo de distorção ( chamado “polar flutter”) que é mais acentuado quando o sinal passa nas imediações dos pólos magnéticos do globo (devendo-se ressaltar que os pólos magnéticos sofrem alterações lentas mas continuas, fazendo com que raramente eles correspondam a posição dos pólos geográficos; para apreciar a extensão dessa excursão polar, basta lembrar que há indícios geológicos absolutamente seguros de que a “inversão dos pólos” já ocorreu pelo menos 2 vezes em épocas relativamente recentes. No momento o pólo Norte magnético está várias centenas de km ao sudeste do pólo geográfico.

Existe um “relógio” de parede medindo aproximadamente 50 X 80 cm fabricado nos EEUU pela Geochron, que, para qualquer horário e época do ano apresenta no mostrador dele a posição do cone de sombra da terra: isso é muito útil para determinar a partir de que hora/época do ano é teoricamente possível ouvir uma determinada emissora. Há também o que se pode ser chamada à versão manual do mesmo principio (feita de plásticos transparentes sobrepostos, que deslizam dentro duma guia dupla) que permitem determinar, de forma idêntica a anterior, o cone de sombra terrestre para qualquer época/hora e local; seu custo US$30 é infinitamente menor que o Geochron, mas, devido ao pequeno tamanho dos gráficos envolvidos (aproximadamente 10 x 25 cm) a precisão de leitura é limitada; a mais, o pequeno tamanho do conjunto não tem especo físico para alojar o nome de muitas cidades (para usar de referencia na localização do ponto de interesse) e o exato posicionamento do transmissor sofre com isso. O fabricante é a Xantec, YSA.

Outra opção para o preciso acompanhamento desses horários é usar um programa de computador: a pedido de um clube americano, escrevi em 1994 um programa que, além de executar essa função, ainda calcula a distancia entre o ponto de transmissão e de recepção; neste caso, a precisão das respostas é sempre superior às opções anteriores ou as derivadas de mapas azimutais de pequeno tamanho. Neste caso, porém, é imprescindível dispor das coordenadas geográficas do local de transmissão e do local de recepção para poder efetuar a computação.

TÉCNICAS DE RECEPÇÃO

Um outro aspecto fundamental para a escuta de sinais fracos não é somente uma boa antena (que capte a maior quantidade de energia do sinal desejado), mas ainda que proporcione uma boa relação sinal/ruído; no caso entenda-se por “ruído” a somatória de sinais interferentes locais provindo de motores elétricos de escovas, relais, sinais luminosos, aparelhos eletro-médicos, contadores etc. bem como descargas atmosféricas e sinais de outras emissoras que não a desejada.

Uma forma de otimizar esta situação é usando uma antena direcional, cujo lóbulo de maior sensibilidade esteja orientado para a região de interesse. Em freqüências altas ou em micro-ondas, os elementos da antena têm tamanhos reduzidos, sendo assim possível construir antenas direcionais que, ao serem giradas, otimizam para cada caso a relação sinal/ruído.

Nas bandas tropicais, é impraticável construir antenas giratórias de 50-100 m de diâmetro: assim a busca de otimização da relação sinal/ruído é buscada por outros mecanismos; talvez o mais simples consiste de se Instalar 2 antenas fixas, posicionadas a 90.º com uma chave seletora que permita, durante a escuta, a fácil comutação das antenas, a fim de selecionar aquela que, no momento, dá o melhor resultado. Um mecanismo mais sofisticado é o sistema “diversity”, que também usa 2 antenas de orientação diferente; neste caso porem os dois sinais são sempre utilizados simultaneamente usando receptores especiais que fazer o batimento eletrônico destes sinais e que, descritos de forma simplificada, aproveitam a cada momento o sinal que estiver melhor (dos 2 disponíveis).

Apesar do sistema ter seus méritos, ele é limitado pelo espaço que demanda e pelo custo/sofisticação do receptor necessário. Em épocas mais recentes, devido aos progressos havidos no microprocessamento de sinais pulsados, surgiu outra alternativa que está ao alcance dos amadores: os simuladores de “phased array”, que estão ligado à antena principal  e que podem operar com uma antena secundária menor que a primeira; esta ultima pode ser até telescópica, do topo usado em carros. O sinal provindo da antena é processado, identificando as interferências sofridas no momento, que são comparadas com as interferências provindas da antena secundária.

Estas ultimas sofrem uma rotação de 180o. e, ao serem misturadas eletronicamente com o sinal da antena principal, cancelam as interferências nele contidas: a conseqüência é que o sinal resultante está isento de interferências. Na prática o funcionamento deste sistema não é tão perfeito como esta descrição faria pressupor; porém uma instalação adequada e, sobretudo um ajuste habilidoso destes supressores apresenta resultados entre bons e fantásticos. Os maiores fabricantes conhecidos são a JPS e a MFJ americanas, sendo que esta ultima é mais barata, com preço da ordem de US$ 150.

Numa pequena divagação, observe-se que talvez a solução caseira mais imediata para muitos DX’ers seja apenas um bom sintonizador de antena (que consiste apenas de um circuito sintonizavel na freqüência de interesse entre a antena e o receptor, de fácil construção caseira e de baixo custo): esta unidade permite o perfeito ajuste de impedância entre a antena e a entrada do receptor (que, na grande maioria dos casos de usuários de antena tipo “long-wire”, é muito ruim). O simples casamento destas 2 impedâncias faz com que a intensidade do sinal melhore e sua inteligibilidade aumente (apesar desta opção ter relativamente pouco efeito sobre a relação sinal/ruído)

O FUTURO

No que precede foi resumida a origem das bandas tropicais, alguns aspectos de sua evolução e dos sistemas para recebe-las: o que virá agora…? A minha resposta oferece uma previsão de decadência: devido a tantas outras formas de radiodifusão desenvolvidas nos últimos anos, tem-se a impressão que as bandas tropicais já iniciaram desde anos a sua fase de declínio. Ao longo da história da tecnologia são observadas grandes invenções que mudaram a forma de pensar da humanidade, até serem obsoletas por soluções diferentes: o navio cedeu o transporte de passageiros para o avião, o motor a vapor foi substituído pelo motor de combustão interna, a fotografia com película está cedendo espaço para a fotografia gravada magneticamente e os gravadores de fita serão substituídos por gravadores de CD-ROM. A máquina de escrever desapareceu: a ultima fábrica do Brasil fechou em 1989.

A cobertura radial de regiões que dependeram durante mais de meio século das bandas tropicais (por ex: territórios Australianos e parte da Indonésia) está sendo substituída por redes de emissoras de FM cm torres retransmissoras, que proporcionam sinais isentos de fading e de interferências; isso está sendo possível pela introdução de transmissores e receptores de estado sólido para FM a custos relativamente baixos. O serviço de TV tem contribuído também pare este panorama, fazendo com que um evento realizado em outro país chegue até o interessado não mais pelo som fraco e interferido de ondas curtas, mas sim por uma imagem estável e colorida, acompanhada por uma qualidade de áudio que, em 1950, teria sido chamada de “Hi-Fi”.

O impacto da Internet está ocorrendo agora e é ainda prematuro tentar projetar a sua evolução: seguramente as regiões mais pobres e afastadas levarão ainda muitos anos para ter este serviço disponível, mas ele eventualmente virá. Assim é lícito concluir que a quantidade de emissoras das bandas tropicais prossiga declinando, tal como se observa desde aproximadamente 1985; os bolsões isolados de crescimento notados no interior do Peru, não são representativos, sendo absolutamente instáveis e de curta duração: nestas condições, será prudente que todos os colegas com planos de viver outros 100 anos, se preparem para alegra-los com outro hobby!

Por: Jack Perolo

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