NDB – Radiofarol

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Generalidades

Conhecido mundialmente no meio aeronáutico e marítimo por NDB, da sigla inglesa Non Directional Beacon, que significa “marcador não-direcional”, a estação nada mais é do que uma baliza de sinais de rádio em modo A2, telegrafia modulada em 1020 Hz, para ambos os serviços, porém de fundamental importância a radionavegação náutica e aérea. Em radionavegação, o NDB determina uma posição relativa ou um ponto definitivo (objetivo); no caso da posição relativa, não existe a necessidade da aeronave ou embarcação passar exatamente sobre um determinado ponto, mas sim uma referência de uma rota, sendo que esta situação é reportada como “passando no través” ou “passando sobre” quando se tratar de aeronave. Já no caso de um objetivo, a marcação da baliza será o ponto final de uma rota ou de um determinado procedimento de navegação.

Freqüências de operação

Existem duas bandas distintas de operação dos radiofaróis; a primeira, dentro do espectro de ondas longas/médias, cobre de 190 a 535 kHz; a segunda, dentro do espectro de ondas médias, cobre de 1.600 a 1.800 kHz. É determinado um tom para a nota emitida pelo identificador, porém alguns países possuem algumas diferenças, portanto para um radioescuta esta diferença desde que do seu conhecimento auxilia na diferenciação dos sinais captados quando coincidentes numa mesma freqüência. Para o Brasil e Venezuela o tom determinado é de 1.020 Hz, entretanto muitos mantenedores não atentam para este detalhe, colocando no ar sinais de péssima qualidade, infelizmente.

Equipamento de recepção de bordo

O ADF (Automatic Direction Finder – localizador automático de direção) é o sistema de bordo para recepção dos sinais, também conhecido por radiogoniômetro e radiocompasso. É constituído de um receptor de AM com batimento, um indicador de painel graduado em 360 graus e duas antenas; uma unifilar chamada Sense e outra rotativa ou chaveada eletronicamente chamada Loop. A comparação entre os sinais das duas antenas é o determinante para a direção do radiofarol. Os receptores marítimos, na sua maiorias, cobrem de 190 a 3.500 kHz; os receptores aeronáuticos cobrem de 190 até 2.000 kHz. A cobertura contínua provê a possibilidade de utilização de estações broadcasting na navegação aérea e marítima quando da falta de estações de radiofarol dentro do alcance de aviões e navios.

Operadoras

Muitos são os operadores das estações de radiofarol no Brasil; entre tantas podemos citar a Aeronáutica, Marinha, Funai, Infraero, Petrobras, Varig/Rio Sul/Nordeste, empresas de táxi aéreo, prefeituras, governos estaduais, mineradoras, empresas agropecuárias, fazendas e particulares. Em alguns casos estas estações operam somente quando requisitadas, não permanecendo ativas por muito tempo, visando apoiar alguma aeronave; outra situação temporária é durante as operações militares, sejam manobras ou emprego real como apoio a Polícia Federal, busca e salvamento (SAR – Search And Rescue) e operações da defesa civil (calamidades e desastres).

Sistema marítimo

Na navegação náutica, o NDB determina uma posição relativa da embarcação e a estação, porém podem ser classificados como continentais, insulares ou embarcados; nos radiofaróis continentais e insulares tais estações estão localizadas ao longo da costa e em determinadas ocasiões junto a um farol luminoso. Nas estações embarcadas, como o próprio nome está dizendo, localizam-se em navios, plataformas marítimas e navios-balizas.

O alcance dos radiofaróis marítimos é de aproximadamente 550 km; assim podemos dizer que os transmissores de radiofarol marítimo possuem potências em torno de 3 kW. No Brasil, bem como no resto do planeta, as estações marítimas estão localizadas entre 285 e 325 kHz, entretanto as embarcações fazem uso dos radiofaróis aeronáuticos também. No Brasil as estações marítimas são identificadas por dois caracteres, entretanto em outros países podem possuir de 1 a 4 caracteres; como exemplo de estação identificada com um caracter temos Cabo Polonio no Uruguai, onde o caracter identificador é “F” em 295 kHz, aliás, esta estação é facilmente captada no sul do Brasil durante os nevoeiros de inverno quando é ativada, pois além de estar muito próxima da nossa fronteira sul, tem um alcance útil de 700 km. Com 4 caracteres de identificação temos no Chile várias estações, entre elas citamos Isla Quiriquina-Punta del Faro com os caracteres “QINA” em 315 kHz também operando durante os nevoeiros de inverno, entretanto sua potência é reduzida, por volta de 400 Watts. Algumas estações marítimas, inclusive brasileiras, já possuem agregado ao seu sinal o D-GPS (Diferential-Global Positioning System), que pode ser facilmente identificado como um som tremulante que acompanha a portadora da estação; alguns ouvidos identificam como um murmúrio ou choro na freqüência.

As estações embarcadas em navios por características de seus transmissores que cobrem de 400 a 530 kHz e 1.600 a 30.000 kHz, podem facilmente operar como radiofaróis, usando neste caso seu indicativo telegráfico como indicativo de identificação composto de algarismos e letras de 4 caracteres, por exemplo: PPNJ (Brasil), LQQQ (Argentina) e 5LXW (Libéria). São ativadas quando há necessidade de socorro por água ou ar, operações de manutenção e abastecimento quando envolver outras embarcações ou aeronaves (pouso de helicóptero a bordo, lançamento de material e resgate de pessoas).

As plataformas petrolíferas também são balizadas com a mesma finalidade de um navio, porém possuem equipamento especifico bem com indicativo próprio; por exemplo, a plataforma Merluza na bacia de Campos, que opera com indicativo MLZ em 1.645 kHz.

Para fins de consulta, a melhor publicação sobre radiofaróis marítimos é a publicação inglesa de cobertura mundial Admiralty List of Radio Signals, volume 2, publicado pelo The Hydrographer of The Navy, pelo preço de 10 Libras. No Brasil, a DHN, Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha tem a venda o Manual de auxílos-rádio, porém com cobertura nacional.

Sistema aeronáutico

No âmbito aeronáutico os radiofaróis existem em número bem maior, pois além de simples baliza de um aeroporto também constituem o sistema ILS (Instrument Landing System – sistema de pouso por instrumentos) e os fixos de posição. Os aeroportos e até mesmo alguns pequenos aeródromos e pistas possuem uma estação de radiofarol identificada por três caracteres e um transmissor com potência que varia entre 100 e 1000 watts que determina uma cobertura de 45 a 185 quilômetros, sempre que possível situado o mais próximo da pista.

Os radiofaróis do ILS são imprescindíveis as operações de pouso de um aeroporto, pois informam posições criticas e essenciais de um circuito de pouso. Estas balizas são de até duas estações e conhecidas como marcador médio (LMM) e marcador externo (LOM), localizadas na área externa ao aeroporto, no prolongamento da cabeceira principal da pista e identificadas por dois caracteres, sendo que o primeiro caracter será I de ILS e os segundos caracteres do indicativo principal do aeródromo; por exemplo, Porto Alegre, o indicativo principal do Localizador é IPA e o marcador médio é IA em 395 kHz e o externo IP em 395 kHz. Em Porto Alegre existe um marcador médio na cabeceira oposta e como não faz parte do sistema ILS da cabeceira principal é identificado como PÁ em 315 kHz . Estes marcadores possuem transmissores com potência de 50 watts e antenas de dimensões reduzidas, o que ocasiona um alcance bastante reduzido, em torno de 25 quilômetros, portanto a recepção deste tipo de estação a longa distância constitui um prêmio ao radioescuta.

Por último existem as estações de radiofarol balizando os chamados fixos aeronáuticos, pontos onde as aeronaves obrigatoriamente devem reportar sua passagem. Estas estações podem estar localizadas dentro de uma determinada área terminal, ou seja, área de jurisdição de um controle de aproximação, que circunda um grande aeroporto; ou ainda em uma aerovia, principalmente aquelas localizadas sobre grandes extensões desabitadas como os oceanos, desertos e florestas, onde um sistema como o VOR (VHF omnirange) é ineficiente, pois como o próprio nome indica está limitado pelo alcance do VHF. Em geral estas estações identificadas por três caracteres possuem transmissores de 1.000 watts e excelentes antenas tipo torre irradiante, que como o nome indica, participa do processo de transmissão, numa estrutura com 42 metros de altura e 72 radiais enterrados para uma perfeita irradiação em todas as direções.

Existem várias publicações aeronáuticas repletas de informações sobre o assunto, pois cada país é obrigado a mante-las sempre atualizadas; no Brasil, a DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) fornece o ROTAER – Manual de Rotas Aéreas, a AIP – Publicação de Informações Aeronáuticas, que podem ser adquiridos nos aeroportos das capitais, através de assinatura anual.

O detalhe que torna a escuta dos radiofaróis interessante é sua baixa potência em relação as emissoras comercias em AM, a propagação por onda terrestre e sua identificação telegráfica, pois leva o radioescuta ao aprimoramento pessoal e técnico na busca de uma melhor recepção. O assunto é vasto e engloba superação de vários fatores como as interferências naturais e artificiais, mas que aliada a força de vontade podem ser transpostas as dificuldades e trazer imensa satisfação.

Por: Jorge Jockymann Jr. – Torres – RS

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