O velho rádio enfrentando a modernidade

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A Internet carregou o ouvintes para computador? A TV pôr assinatura, e muitos outros atrativos modernos fez com que o ouvinte se afastasse do rádio? Neste artigo vamos comentar sobre este assuntos sem a paixão desvairada que muitas vezes nos acomete!


Outro dia dentro de um ônibus coletivo em Itaúna, meu ouvido indiscreto, atento a todo ruído em volta, escuta dois senhores de meia idade conversando: “E aí compadre, continua cultivando aquelas diversidade de lindas orquídeas?”, o outro responde: “Não fulano, depois que comprei o computador acabei deixando elas de lado e muitas já até morreram!”

 

Acredito que muitos colegas já devem estar cansados de ouvirem casos parecidos, na realidade a história muda de pessoa para pessoa mas os personagens são os mesmos. O que observamos é que aquela paixão que acomete os jovens, o chamado “amor a primeira vista”, quando da primeira namorada, acompanha-nos pela vida afora, só que a paixão agora é pelas coisas materiais e do cotidiano. Certamente falta-nos a capacidade de definir que cada coisa nova que surge em nossa vida será uma coisa a mais que será compartilhada com as demais existentes, e nunca que ela se apossará de todo nosso tempo em detrimento das demais.

 

Sem dúvida alguma todas as discussões hoje em dia se voltam para as relações do homem com o computador. Com o advento da Internet a relação das pessoas com a máquina se consolidou ainda mais, e quem via o computador com certo desprezo, logo mudou de idéia!

 

No meu entendimento o computador e Internet devem ser mais um instrumento de apoio, pesquisa e ajuda para o nosso hobby. De forma alguma deve disputar com o rádio e outros afazeres, passatempos e coisas do cotidiano o tempo disponível! É compreensível que no primeiro momento qualquer um fique apaixonado com um TV a cabo, um carro novo, um barco de pesca, uma casa nova, um rádio novo e enfim uma série de coisas novas que podem surgir assim de repente em nossas vidas ou que estamos aguardando-as já desde longa data. O que ocorre é a paixão desenfreada. Por exemplo podemos tomar um radioamador novo, que esquecendo-se da família vara noites adentro comunicando-se. Cancela passeios com a família para participar de concursos ligados ao seu hobby. Se isso passa a ser constante o seu hobby passará a ser odiado pela família. O pescador que passa dias e mais dias as margens do rio e não divide o tempo disponível com a família é outro exemplo. Muitos usuários da Internet tem também enfrentado a ira das esposa e namoradas que vêem no computador um rival ferrenho!

 

A Internet está 24 horas a disposição do usuário. A qualquer momento que você usá-la lá esta o que procura, ao contrário do rádio que tem horário preestabelecido. Se voce quer escutar um determinado programa, você tem que ligar o rádio no momento certo. Neste caso a Internet leva vantagem sobre o rádio por não estar presa a horários.

 

É bom que todos se lembrem que todo essa explosão de tecnologia iniciou-se bem lá atras com o telégrafo seguido do velho rádio a válvula que enfrentando todo tipo de concorrência eletrônica continua firme e forte, pois segundo algumas pesquisas para cada TV no mundo existem 15 rádios. Uma prova incontestável disto pude verificar na residência do meu vizinho no QTH rural, o senhor da casa tem um rádio portátil para escuta dos programas sertanejos, a esposa usa o receptor a força da sala para escutar os programas religiosos da Rádio Aparecida, os quatros filhos cada um tem o seu portátil para quando se deitarem à noite ouvirem seus programas preferidos.

 

Para afirmar que a Internet acabou com o hobby de muitas pessoas seria necessário uma ampla pesquisa junto a seus usuários. Acho que a Internet é a oitava maravilha – indiscutível! Também sabemos de inúmeras pessoas que desligaram sua assinatura por motivos vários dentre eles, tempo, despesas, e as vezes ate pôr desencanto com a rede.

 

Embora não queira ser dono da verdade acho muito saudável compartilharmos tudo de bom que está ao nosso alcance sem nos determos em demasia em algum. É bom ter e praticar uma religião mas todos sabem como é chato sermos abordados por uma pessoa no lugar e no momento errado para querer falar de religiosidade! Também e duro ficar escutando alguém bajulando seu time preferido ou contando o filme que assistiu. Se nos dosarmos a prática do esporte, da religiosidade, passeios, computador, e enfim tudo que esta ao nosso alcance certamente sobrará tempo para ouvirmos nosso velho rádio!

 

Por: Wilson Rodrigues

Iniciou seu gosto pelo rádio em 1957 quando a TV engatinhava no Brasil. Em 1992 conheceu o DXCB e desde então está no grupo interagindo com os amantes do rádio! No boletim Atividade DX, faz a coluna “Matutando!”, sempre com uma pitada de bom humor. Além disso, pesquisa e monta artesanalmente antenas para ondas médias de alto ganho!

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