Raios! Inimigo número 1 do rádio

Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+1Pin on Pinterest0Email this to someonePrint this page

Suas antenas têm proteção contra raios? Você conhece pelo menos os procedimentos mais elementares para se proteger das descargas atmosféricas? Neste artigo vamos abordá-los!


Quando me aposentei trabalhava como eletricista industrial em uma siderurgia que fabricava aços laminados e ao longo dos tempos pude conhecer a ação dos raios nos equipamentos daquela empresa. Pude também observar a ignorância do pessoal, bem como suas crendices sobre este fenômeno da natureza! Assim eles comentavam:

 

Se estiver relampeando não se deve comer com colher e faca de metal, eles atraem raios!

Ao que outro respondia.

 

Quando relampear não olhe para o clarão, pois você pode ficar cego ou atrair o raio com seu olhar!

 

Embora já se saiba muito sobre eles, muitos mistérios ainda envolvem suas ações. Certa ocasião quando reparávamos uma linha de alta tensão de 13800 volts totalmente aterrada no ponto em que trabalhavam em torno de 8 eletricistas a 10 metros do solo , o tempo não ajudava e se antevia um grande temporal. Quando no horizonte bem longe percebíamos um clarão de descarga atmosférica, todos 8 eletricistas davam um pulo acompanhado do tradicional, “ai” como se o raio tivesse caído a poucos metros de nós, muito embora os pontos em que trabalhávamos estivesse muito bem aterrado.

 

Para realizar um trabalho a eletricidade devera atravessar uma resistência de carga. Se você ligar sua antena a um sistema de aterramento de baixíssima resistência caso uma descarga atmosférica o atinja é bem possível que ele não a danifique. Mas se você ligá-la a um sistema gambiarrado seus riscos são enormes. Um pára-raios mal instalado é mais perigoso que a falta dele (perigoso sem ele; mais perigoso com ele.) O melhor que o radioescuta pode fazer é desconectar sua antena e deixá-la afastada dos equipamentos e durante as grandes tormentas deve evitar tocar em seus terminais. Nosso amigo Andersom aqui de Itaúna costuma deixar uma lâmpada néon ligada aos terminais da antena, e quando recebia uma pequena descarga a lâmpada se acendia. As emissora de radiodifusão tem bem elaborados sistemas de proteção contra raios, já os radioescutas penduram uma ferradura de 7 furos atrás da porta da sala de escutas. Os objetos de pontas são os que mais atraem raios, como as antenas verticais, plano de terra dentre outros. As antenas dipolo embora na horizontal quando muito elevadas podem receber descargas.

 

Na cidade contamos com a proteção das linhas e redes de energia elétrica das concessionárias, e dos pára-raios dos grandes edifícios. A grande função dos pára-raios e evitar a formação de grandes bolsões de nuvens escuras descarregando-as antes que atinjam grandes proporções. Como na zona rural a presença dos pára-raios é muito pequena ou é quase nenhuma, os grandes bolsões se formam e quando descarregam saem raios de grande magnitude que partem ao meio as árvores frondosas como o eucalipto, ou chegam a abrir grandes valetas no chão.

Há muitas informações em revistas e livros sobre como instalar um bom aterramento para suas antenas. Procure se informar e peça ajuda a um colega mais experiente.

 

Os raios geram um tipo de emissão que os cientistas chamam de “assobiadores”. O buum do estrondo do raio é seguido um ou dois segundos depois de um assobio alongado e os cientistas começaram a estudá-lo em 1958. A escuta destes sinais (assobiadores) pode ser feita com receptores que operam em VLF (muito-baixa-frequencia). No passado o pessoal utilizava um amplificador de áudio de alta fidelidade sem presença de ruídos ou zumbidos e a sua entrada de áudio era conectado uma antena omni-direcional de grande tamanho e o amplificador que cobria uma faixa desde 700 a 14000 Hz amplificava milhares de vezes os sinais presentes na antena, e era possível a escuta dos sinais provenientes dos raios. Hoje os cientistas já dispõem de equipamentos acoplados a computadores que analisam este fenômeno da natureza. Sabe-se que no passado os raios já mandaram muitos cientistas para viver junto com São Pedro. Muitos tinham idéias loucas de como aproveitar a força dos raios e sentiram realmente seu poder devastador na própria pele! Nem sempre o fato de ter um pára-raios na região onde você esta lhe da garantias de proteção. É comum cair raios em estádios de futebol com vários protetores em volta do campo ou uma faisca passar próximo ao pára-raios e atingir dentro de sua área de proteção. Você deve sempre desligar a tomada do seu receptor na presença dos trovões, pois como a maioria dos raios dentro da cidade cai nas redes de energia elétrica eles descarregam suas forças em tudo que está ligado a ela. Desligar só antena não resolve!

 

Portanto vale sempre aquela velha frase: “Seguro morreu de velho”.

 

Por: Wilson Rodrigues

Iniciou seu gosto pelo rádio em 1957 quando a TV engatinhava no Brasil. Em 1992 conheceu o DXCB e desde então está no grupo interagindo com os amantes do rádio! No boletim Atividade DX, faz a coluna “Matutando!”, sempre com uma pitada de bom humor. Além disso, pesquisa e monta artesanalmente antenas para ondas médias de alto ganho!

Deixe uma resposta