As manchas solares e a propagação das ondas de rádio

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O Sol, além de ser uma fonte de energia para todas formas de vida na Terra, desempenha um papel muito importante na propagação das ondas de rádio à longa distância. Na superfície do Sol ocorrem explosões que quando são observadas ou fotografadas da Terra se apresentam como pontos negros e que recebem o nome de “manchas solares”. Existe uma correlação entre o número de manchas solares e a facilidade de propagação das ondas de rádio à longa distância. A explicação é a seguinte: a ocorrência das manchas solares é acompanhada pela emissão por parte do Sol de ondas eletromagnéticas ultravioletas (UV) e de partículas atômicas.

As ondas UV se propagam à velocidade de 300.000 km/s e, portanto demoram um pouco mais de 8 minutos para chegar a Terra. Essas radiações UV ionizam a camada mais externa da atmosfera formando a ionosfera, que é onde as ondas de rádio refletem e retornam a Terra proporcionando às ondas de rádio percorrerem longas distâncias. A densidade e a espessura da ionosfera é que determinam os comprimentos de ondas que são refletidos e o ângulo da reflexão. A ionosfera começa a ser formada a cada manhã e se desfaz à noite.

Por outro lado, as partículas atômicas que acompanham a radiação UV se propagam mais lentamente e em alguns casos não conseguem chegar à atmosfera terrestre, mas quando chegam provocam um efeito contrário ao das radiações UV, ou seja, afetam negativamente a propagação das ondas de rádio, e seu efeito pode durar entre 1 e 4 dias. Nos casos mais severos a emissão de partículas atômicas, que também é conhecido pelo nome de “ventos solares”, chega muito rapidamente a Terra e bloqueiam totalmente as comunicações por rádio, principalmente nas regiões próximas aos pólos da Terra.

Os cientistas têm feito anotações do número de manchas solares no decorrer dos anos e notaram que quando se constrói um gráfico com o número de manchas solares em função do tempo este gráfico mostra que existem períodos em que o número de manchas é elevado e outros em que o número é mínimo e que esses períodos são repetidos ciclicamente a cada 11 anos, constituindo os ciclos de 11 anos de atividades solares em que temos 5 anos e meio de boas condições de propagação e 5 anos e meio de más condições. Um ponto mínimo ocorreu entre os anos de 1984 e 1985.

Por: Jonas Eduardo Abboud


Artigo publicado no boletim “Atividade DX” nº 9 – março de 1983.

PROJETO MEMÓRIA DO DXCB

Colaboradores:

  • Antonio Geraldo Paim da Silva
  • Carlos Felipe da Silva
  • Dante Vanderlei Efrom
  • Itamar Nunes de Assis
  • Ivan Dias
  • José Carlos Cruz
  • Luciana Miura Sugawara Berka
  • Márcio Roberto Bertoldi
  • Mário Cesar Pinto Brignol
  • Samuel Cássio Martins
  • Valter Aguiar

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