Antenas para recepção segundo Emílio Alves Velho

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Fui buscar na revista Antena – Eletrônica Popular de outubro de 1983, na seção “Radioescuta – DX MANIA”, algumas pérolas sobre antenas para recepção. Os ensinamentos foram de Emílio Alves Velho, que escreveu o melhor, mais elucidativo e “cínico” (no bom e bem-humorado sentido) artigo sobre antenas de recepção que já li. Nada de fórmulas complicadas, nada de esquemas “miraculosos”, nada de calcula isso – calcula aquilo… Direto, claro, conciso e honesto. Tudo com base no que viu, fez, ouviu e mediu, como ele mesmo afirma. Pura vivência de quem montou o seu primeiro Galena em 1931 e instalou, em 1948, uma antena com 150 metros de comprimento e 30 metros de altura média em plena selva amazônica.

Ele começa pela relação antena-rádio, a qual percebo, depois de ler o seu artigo, como quase sempre infiel, ou sempre mais ou menos fiel. Diante da procura obcecada pelo casamento perfeito de impedância entre rádio e antena, muitos se consomem em uma busca frenética e desgastante pela plena fidelidade neste casamento. A isto, Emílio responde com duas máximas:

1o – Não existe nenhuma antena com propriedades mágicas que se adapte corretamente à entrada de qualquer receptor, em qualquer faixa.

2o – Nenhum receptor possui um circuito de entrada de antena tão “elástico” que se adapte perfeitamente a qualquer antena que lhe seja imposta.

O que se pode fazer para ter o máximo de receptividade, segundo o autor, é acoplar corretamente a antena ao receptor através de um adequado acoplador de antena. Nesta mais ou menos conflituosa relação entre antena e rádio, concluo eu, que o casamento vai funcionar quase perfeito só mesmo com um triângulo amoroso.

Emílio alicerça-se em três leis básicas que norteiam os princípios de uma antena.

1) Qualquer bom condutor serve para se fazer uma antena.

2) Em recepção, o que vale mesmo é tamanho e altura, além de a antena estar em um bom espaço livre, ou seja, “quanto maior, mais alta e ‘desafogada’ a sua antena, maior a captação”.

3) Você só poderá ouvir o sinal que esteja atingindo a sua antena com tal intensidade que seja capaz de ultrapassar o nível de ruído. Se assim não for, não há “mágica” que consiga fazer você ouvir uma emissão. Agora, se o que impede seu equipamento de receber um sinal é a antena, isso só pode ser resolvido com uma antena melhor. “Melhor do que esta antena, só uma antena melhor do que esta.”

Pois bem, resumindo a lição do Emílio, eis os pontos básicos que apreendi:

  • Monte a maior antena que puder;
  • Se você não tiver espaço para uma antena que tenha entre 12 e 25 metros, faça do tamanho que puder, e, afinal, terá a melhor antena que você pode ter. Paciência…;
  • Coloque a antena o mais alto que puder;
  • Monte a antena no local mais “desafogado” que você dispuser;
  • Se puder, para caprichar um pouco mais, empregue um acoplador.

Mas se o caso for de apelação, o Emílio é mesmo bom nisso. Para ele vale tudo: varal metálico para estender roupa, vitrô montado em parede seca, carcaça de fusca isolada pelos pneus, armários e estantes metálicas em piso isolante, fiação elétrica e telefônica fora de uso, fio jogado pela janela do apartamento, cercas de arame farpado em mourões de madeira seca, telhado de zinco ou alumínio, antena de TV não aterrada, calhas metálicas, fogão à gás ligado por mangueira de plástico (mesmo que esteja assando frango e cozinhando feijão), cama metálica tipo hospital, etc., etc.

Emílio não dá o menor crédito aos “araminhos” miraculosos. Mas, apesar de todo o ceticismo, quanto à antena ele recomenda que você “tente estudar e construir uma que satisfaça pelo menos o seu caso”. E para aqueles que ficaram assustados e “sem ter onde se agarrar” com as suas afirmações, ele diz que não é esta a sua intenção. E complementa: “Eu lhes dou a verdade nua e crua, sem ‘dourar a pílula’, pois acredito piamente que o leitor esclarecido e conscientizado atinge melhor os seus objetivos.”

Meu caro Emílio Alves Velho, onde estiver, receba o meu abraço e obrigado pela exagerada sinceridade capaz de jogar muito teorema fora. Nada melhor do que uma boa dose de simplicidade em nossa falsa erudição.

Por: Aélerson Machado – Campinas – SP

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