Lição 10 – Desvanecimento e ruído

Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Pin on Pinterest0Email this to someonePrint this page

Consta que todo ouvinte de ondas curtas já tenha experimentado o efeito ‘fading’ (desvanecimento); quando os sinais, devido a mudanças na intensidade de campo instantânea no extremo receptor, sofrem reforço ou debilitação. Isto pode ser causado por vários fenômenos ionosféricos, alguns dos quais são bem difíceis de se explicar ou outros que são facilmente entendidos. Existem vários tipos de fading: interferência, absorção, salto, polarização tremor e seletivo. Neste trabalho serão apresentadas apenas as causas e características mais importantes.

Em termos gerais, o fading depende da frequência e ocorre mais rapidamente nas frequências mais altas. Às vezes, este efeito é tão forte que a banda lateral inferior de um sinal de ondas curtas se desvanece mais lentamente que a banda lateral superior. Isto provoca uma distorção do som, que geralmente se conhece como ‘fading seletivo’. Naturalmente, pode ocorrer somente no caso de emissoras com dupla banda lateral (uma das vantagens da banda lateral sobre o AM normal), como praticamente são todas as emissoras de radiodifusão de ondas curtas.

O fading por salto pode ocorrer quando a frequência máxima utilizável diminui em função do tempo, como ocorrerá quando há transição dia/noite durante o tempo de transmissão. Num dado momento, as propriedades refletoras diminuem tanto que o sinal fica instável, começa a desvanecer-se e volta errática, uma situação susceptível de continuar por curto tempo, depois do qual os sinais desparecem inteiramente.

O fading por interferência é bastante comum e é causado por sinais que são irradiados num mesmo momento e que chegam a antena receptora em momentos ligeiramente diferentes (diferença de fase). Como a impressão do sinal na antena é o resultado de muitas ondas, é evidente que – devido à diferença de fase – se pode amplificar ou debilitar uns aos outros e o efeito é um sinal flutuante. Este tipo de fading é causado por pequenas irregularidades na densidade eletrônica da camada refletora e pode ser mais facilmente compreendido se considerar que um feixe de ondas de rádio não se reflete num só ponto da ionosfera, mas sim sobre uma extensa região. Depois da reflexão, se mesclam as ondas de alto a baixo ângulo, porém se conservam as ondas individuais, que produzem sinais individuais de antena.

Os fadings por interferência e por polarização tem um ciclo de desvanecimento relativamente rápido: pode variar entre uma fração de segundo a vários segundos. Torna-se grave quando as ondas terrestres e ionosféricas sejam comparáveis.

O fading por tremor tem esse nome devido à alta velocidade de flutuação de sinal: entre 10 e 100 Hz. É observada com maior frequência próxima a regiões polares (também denominadas zonas aurorais) e também nos sinais que cruzam a linha do Equador.

Na propagação das ondas ionosféricas há sempre presente o fading em maior ou menor intensidade. De acordo com o estado da ionosfera, pode ser profundo ou superficial, rápido ou lento. O fading profundo ocorre especialmente quando a frequência está demasiadamente próxima da FMU da trajetória. O fading tem uma influência adversa sobre a qualidade da recepção e, por conseguinte, se deve especificar no informe de recepção.

Finalmente, para concluir esta aula, algumas observações sobre os ruídos considerados importantes na propagação de ondas curtas.

– Ruído atmosférico: Deve-se principalmente às descargas elétricas durantes chuvas. Suas emissões de elétrons geram pequenos pulsos eletromagnéticos. Como as chuvas ocorrem frequentemente sobre as zonas terrestres, tem-se os mais altos níveis de ruído. Além disso, a distribuição do ruído sobre a superfície da Terra depende da hora do dia, da estação e da radiofrequência de trabalho. As intensidades de ruídos são mais altas nas áreas terrestres tropicais, porém variam de acordo com a estação.

– Ruído radio-solar: O Sol emite energia eletromagnética em todas as frequências, inclusive ondas de rádio. Em condições normais o efeito desta emissão não é muito grande, porém se soma ao nível geral de ruído da Terra, especialmente nas regiões onde a radiação solar é sentida mais fortemente (ponto subsolar). Quando o Sol se põe, soma-se o ruído galáctico, especialmente em frequências acima de 10 kHz.

Nota: Sai do propósito deste curso o ruído industrial (tráfico, aparelhos domésticos) e os produzidos pelo próprio equipamento de recepção.

Saiba quais as influências das erupções solares na propagação de ondas curtas

Deixe uma resposta